Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que quase 13% dos jovens no mundo estão desempregados atualmente.

A OIT diz ainda que, pelo menos nos próximos quatro anos, não há sinais de que essa situação possa melhorar.

De acordo com o relatório, muitos jovens capacitados acabam forçados a trabalhar em empregos de meio turno e de baixa qualificação.

A OIT alerta que outros 6 milhões de jovens estão tão desiludidos com o mercado de trabalho que simplesmente desistiram de procurar emprego.

A organização pede que os governos façam da geração de empregos prioridade máxima, por meio de programas de treinamento e redução de impostos para empresas privadas que contratarem jovens.

Clemenceau Alves

Clemenceau Alves

O ex-prefeito de Angicos/RN, Clemenceau Alves (PMDB) que já teve seu mandato cassado pela justiça e responde a alguns processos no âmbito do judiciário, foi condenado no começo desta semana pelo juiz Luciano dos Santos Mendes a pagar multa de R$ 10 mil reais por propaganda política antecipada.

O ex-prefeito havia feito uma fala na Rádio Comunitária Cabugi Central FM 104,9 onde afirmara que seria candidato a prefeito de seu partido as eleições de 2012. Com as declarações Clemenceau Alves cometeu propaganda extemporânea, ou seja, propaganda política antecipada e fora do prazo legal para tal.

O processo que culminou na sentença que foi publicada nesta segunda-feira (21/05) nasceu da denuncia do Diretório Municipal do PDT junto ao Ministério Público e a Justiça Eleitoral onde foi arregimentada ampla documentação comprobatória. “Foi um encaminhamento bem feito pelo Diretório Municipal, nosso Secretário Geral está de parabéns pela forma como redigiu nossa documentação enquanto denuncia e reconhecemos que foi essencial a orientação jurídica de Dr. Joanilson de Paula Rêgo”, contou o presidente do PDT, Francisco Monteiro Neto.

Modesto Neto

Modesto Neto

Clemenceau Alves tem o prazo de trinta dias para efetuar o pagamento da multa, mas o mesmo ainda poderá recorrer ao TER-RN da sentença. “É uma prerrogativa legal e constitucional e ele pode recorrer, mas acreditamos que lá ele [Clemenceau Alves] sofrerá uma nova derrota. As provas são incontestes”, argumenta o Secretário Geral do PDT, Modesto Neto.

 

Segue abaixo a sentença:

 

Sentença em 21/05/2012 – RP Nº 8463 EXMO LUCIANO    

(Dispositivo)

 

Tecidas estas considerações, ao tempo em que JULGO PROCEDENTE a representação formulada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, CONDENO o representado CLEMENCEAU ALVES ao pagamento de multa eleitoral no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) o que faço com arrimo no § 3º do artigo 36 da Lei n.º 9.504/97 c/c artigo 1º, § 4º, da Resolução TSE n.º 23.370/2012.

O valor da multa deverá ser recolhido em favor da União, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do trânsito em julgado desta decisão, devendo o representado comprovar o recolhimento deste valor nos próprios autos.

 

Verificando o Chefe do Cartório Eleitoral que a multa não foi satisfeita no prazo de trinta dias, contados do trânsito em julgado da decisão, encaminhe-se os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para as providências que entender cabíveis.

Publique-se. Registre-se. Intime-se.

 

Angicos, 21 de maio de 2012

Durante a Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga, que se realiza hoje, 17, e amanhã, na sede do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza (CE), especialistas defenderam a criação de um fundo voltado para financiamento de projetos produtivos sustentáveis, combate à desertificação e apoio à preservação do bioma caatinga.

Segundo o diretor de Gestão de Desenvolvimento do BNB, José Sydrião de Alencar, a criação do “Fundo da Caatinga”, que está em discussão no Ministério do Meio Ambiente (MMA), seguiria um modelo de gestão compartilhada.

“Com esse Fundo, podemos ter o potencial econômico alavancado e garantir a recuperação da caatinga. Esse é nosso principal desafio: trabalhar a questão do financiamento de forma sustentável”, disse o diretor.

Na oportunidade, o diretor do BNB destacou a ligação do bioma com o próprio surgimento da Instituição. “O Banco não poderia ficar longe desse debate, até mesmo pelo seu DNA.

O fundamento da criação do BNB, há 60 anos, foi justamente pensar a convivência com o semiárido, para onde destinamos 50% dos recursos oriundos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste”.

Para o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, a criação do Fundo da Caatinga deve permitir que se consiga um envolvimento articulado e inteligente para utilização dos recursos desse bioma.

“Se os utilizarmos com responsabilidade e seguindo critérios técnicos, conseguiremos aliar inclusão social com preservação da biodiversidade e desenvolvimento regional”, garantiu.

A presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga, Alexandrina Sobreira, também reforçou a importância da criação de fundos voltados à preservação do bioma.

“Onde há capacidade instalada percebemos que se obtém progresso. É importante ampliarmos essa ação e articularmos todas as esferas para a criação do Fundo da Caatinga, pois a Amazônia já foi beneficiada durante muito tempo e atualmente conta com muitos recursos”, finalizou.

O evento continua amanhã, com a realização de debates, do qual participam secretários de Meio Ambiente de estados nordestinos, e celebração do Pacto pelo Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, que resultará em declaração a ser apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio + 20.


O ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Político Social) do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, revela no livro “Memórias de uma Guerra Suja” que se disfarçou de padre para tentar assassinar Leonel Brizola, fundador do PDT e um dos líderes da resistência contra a ditadura militar. O disfarce era uma estratégia para responsabilizar a Igreja Católica pelo atentado.

Segundo Guerra, a operação foi comandada pelo coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações – SNI) e pelo comandante Antônio Vieira (Centro de Informações da Marinha – Cenimar). “Os militares também andavam muito aborrecidos com a Igreja Católica, que estava se alinhando à esquerda, pela abertura política”, afirma Guerra. Perdigão e Vieira também estavam à frente do atentado ao Riocentro.

Guerra levava também uma pasta com um revólver calibre 45. A arma era a preferida dos cubanos. A intenção também era ligar o governo de Fidel Castro ao assassinato. “Eu me lembro do boato de que Fidel Castro estava aborrecido por Brizola ter ficado com o dinheiro enviado por Cuba para financiar a guerrilha do Caparaó (o primeiro movimento de luta armada contra a ditadura militar). Os militares estimulavam esses boatos nos quartéis e entre nós”, revela Guerra. “Com o retorno de Brizola, os comentários sobre o dinheiro de Fidel apareciam aqui e ali”.

“O objetivo (do atentado) era implicar a Igreja Católica – resolveríamos dois problemas de uma vez só – e envolver os cubanos, insatisfeitos com a suspeita de desvio de verba para a guerrilha do Caparaó; daí a arma calibre 45”, aponta. “O objetivo, como sempre, era tumultuar o processo de redemocratização do Brasil”, reafirma o ex-delegado em depoimento ao jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto no livro que acaba de ser publicado pela editora Topbooks.

A tentativa de assassinato ocorreu quando Brizola morava em Copacabana, no Rio de Janeiro. A data é incerta. Guerra conta que foi entre “a chegada dele do exílio, em 1979 e antes da demissão do chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva” em 1981. O ex-delegado afirma no livro que se hospedou no Hotel Apa, na rua República do Peru. O hotel existe até hoje. Ele se registrou com identidade e CPF falsos, concedidos pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro na época. “Quando precisava incorporar um personagem para realizar uma missão, eles forneciam tudo: CPF, identidade, tudo”, relat

O ex-delegado revela no livro “Memórias de uma Guerra Suja” foi até a porta do prédio onde Brizola montado na garupa de uma moto conduzida pelo tenente Molina, um militar do Cenimar. Normalmente o líder de esquerda saía de casa “um pouco antes do meio-dia”, pelas informações do SNI repassadas ao ex-delegado do DOPS. Naquele dia, Brizola não desceu e o atentado foi abortado. “Havia o interesse da comunidade de informações em eliminar Brizola, só que depois houve um retrocesso, uma mudança”, afirma Guerra.

Brizola sofreu uma tentativa de assassinato no Hotel Everest, no Rio de Janeiro, em 18 de janeiro de 1980, quatro meses depois de chegar do exílio. Uma bomba foi deixada na porta do apartamento do líder de esquerda, mas desativada em seguida.

Carlos Eduardo discursa durante seminário da AMT

Carlos Eduardo discursa durante seminário da AMT

 

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, prestigiou na manhã deste sábado (5), em Natal, o Seminário de Formação Política promovido pela seção estadual da Ação da Mulher Trabalhista (AMT/RN), movimento feminino do partido. Durante o evento, realizado na Assembleia Legislativa e que trouxe a Natal lideranças nacionais e internacionais de organismos de apoio às mulheres, o líder pedetista no país manifestou confiança na vitória do ex-prefeito e presidente estadual da legenda, Carlos Eduardo, na eleição deste ano para a Prefeitura de Natal. Lupi disse ter “certeza” da eleição do correligionário.

Em seu pronunciamento, Carlos Lupi dirigiu-se a Carlos Eduardo, fazendo o pedido para que o ex-prefeito preencha ao menos 52% dos cargos de sua administração com mulheres. O que levou Carlos Eduardo a comentar em seguida que esse tipo de pedido mostra que Lupi está confiante no êxito de sua candidatura a prefeito de Natal. “Confiante, não. Tenho certeza da sua vitória”, interrompeu o presidente nacional do PDT, motivando os aplausos de todo o público presente.

Carlos Eduardo lembrou que, em sua gestão na Prefeitura de Natal (2002-2008), nomeou mulheres para postos-chave da administração: as secretarias de Planejamento, Educação, Saúde, Assistência Social, Meio-Ambiente e Urbanismo, Tributação, Serviços Urbanos e Controladoria. “Se a gente fizer a soma, chega à conclusão de que pelo menos 70% do orçamento da Prefeitura em nossa administração ficou sob a responsabilidade de mulheres”, destacou ele, atribuindo a essa participação os altos índices de aprovação de seu governo. “Essa aprovação da nossa administração faz com que, aonde eu vá nesta cidade, seja abordado por pessoas pedindo pela volta de quem muito trabalhou e quer trabalhar por Natal”.

Presidente do PDT no Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo também ressaltou em seu discurso que está priorizando em seu mandato como dirigente partidário o apoio não apenas às mulheres, mas a outros segmentos representativos da sociedade. Ele fez referência à instalação da própria AMT e de núcleos da Juventude e de Atuação Sindical. Aproveitou ainda para anunciar a criação do Núcleo da Diversidade, a ser implantado até o final do mês.

 

CAMPANHA

No discurso do ex-prefeito, também teve espaço para referências à campanha eleitoral deste ano. Reafirmando seu plano de candidatar-se novamente à Prefeitura de Natal, Carlos Eduardo citou sua posição de folgada liderança nas 21 pesquisas eleitorais realizadas desde o final de 2010 até agora.

Disse ainda ter confiança na aprovação, pela Câmara Municipal, das contas de sua gestão referentes ao exercício de 2008. As contas já foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e agora serão apreciadas pelo Legislativo natalense.

Ele salientou que não há precedente na história da Câmara Municipal de uma decisão que tenha derrubado um parecer do TCE sobre contas de gestores municipais. Lembrou também que a Procuradoria da própria Câmara já emitiu um parecer, recomendando a aprovação do relatório técnico do TCE sobre a contabilidade da Prefeitura em 2008.

“Estou tranquilo por todas essas razões que acabei de dizer e por acreditar que a maioria dos vereadores não vá se submeter a nenhum tipo de perseguição ou de motivação política contra um cidadão que só fez o bem a esta cidade”, pontuou Carlos Eduardo, conclamando todos os presentes a seguir o andamento do processo na Câmara. “Vamos ficar de olho e chamar os natalenses para acompanhar tudo sobre essa votação”.

 

PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES

A chilena Pia Locatelli, presidente da Internacional Socialista de Mulheres, organização mundial dos partidos social-democratas, socialistas, liberais e trabalhistas, participou do Seminário da AMT/RN e pregou a necessidade de ampliação da participação feminina na política. “É um compromisso que peço ao PDT”, emendou ela.

Presidente da AMT nacional, Miguelina Vecchio, elogiou o trabalho desempenhado pelo núcleo potiguar — coordenado pela contabilista Jartilde Pontes — e destacou ainda a participação das mulheres no plano político como um todo e pediu o engajamento na campanha de Carlos Eduardo.

“Temos que marchar nesta cidade e politizar o eleitor, mostrando que o PDT é o melhor partido, tem o melhor programa de governo e está verdadeiramente comprometido com o trabalhador, com a Educação e com as mulheres”, ressaltou Miguelina Vecchio. Que arrematou: “Cada mulher precisa fazer da eleição de Carlos Eduardo a sua eleição”.

 

LIDERANÇAS

Modesto Neto e Sargento Regina durante seminário da AMT

Modesto Neto e Sargento Regina durante seminário da AMT

Várias lideranças políticas participaram do Seminário de Formação Política do PDT e da AMT/RN. Entre elas, o deputado estadual Agnelo Alves (PDT), o prefeito de Parnamirim, Maurício Marques (PDT), o presidente estadual do PPS, Wober Júnior, o presidente municipal do PCdoB, João Oliveira, os vereadores Sargento Regina (PDT), Raniere Barbosa (PRB) e George Câmara (PCdoB), o vice-presidente estadual do PDT, Sávio Hackradt, Kleber Fernandes e Modesto Neto, ambos presidente e vice-presidente da Juventude Socialista do PDT-RN.

 

 

Em Natal para participar do seminário de formação política do PDT, a presidenta da Internacional Socialista de Mulheres (ISM), Pia Locatelli, disse ontem, em entrevista ao Diário de Natal, que as mulheres ainda precisam conquistar muitos espaços. O objetivo dela é fazer a classe se equiparar aos homens na política e, principalmente, no mercado de trabalho. Questionada sobre o que as mulheres ainda precisam conquistar, Locatelli foi enfática: “Quase tudo. Somos 145 organizações em 130 países. Não há um país no mundo em que haja igualdade entre homens e mulheres. O mercado de trabalho ainda é muito segmentado. Os espaços ainda são muito reduzidos. A sociedade precisa evoluir bastante”, enfatizou.

A presidenta da ISM considerou a participação das mulheres brasileiras na política muito aquém do ideal. “Um país que não tem nem 10% do parlamento formado por mulheres tem uma participação feminina na política muito baixa. No Brasil, apenas 8,6% das cadeiras do Congresso é formado por mulheres. É um número muito pequeno. Precisamos de pelo menos um terço do parlamento para ter voz ativa”, observou.

Locatelli classificou a política brasileira, no que diz respeito aos espaços conquistados pelas mulheres, como contraditória. “Não entendo como um país que elegeu uma presidente, a Dilma Rousseff, tem um número tão baixo de mulheres parlamentares. Mas, acredito que a eleição dela estimulará um maior número de prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras eleitas neste ano”, destacou.

A feminista também avaliou participação das mulheres na política do Rio Grande do Norte, que tem o Estado comandado Rosalba Ciarlini (DEM) e a prefeitura de Natal gerida por Micarla de Sousa (PV). “Há mulheres comprometidas com o movimento feminista. Outras, entram na política por via familiar. Mas, entre um homem e uma mulher, ambos não comprometidos com a causa das mulheres, eu prefiro a mulher”, concluiu.

 

EVENTO

Locatelli está participando hoje, na Assembléia Legislativa, do 1º Seminário de Formação Política no Rio Grande do Norte, organizado pelo PDT. Com a temática “Mulher, Mostre Sua Força”, o evento será pautado pela discussão de políticas públicas voltadas para as mulheres. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, participa do seminário da Ação Mulher Trabalhista (AMT).

Modesto Neto, Neto Monteiro, Brizola Neto, Kleber Fernandes e Paulo Rosemberg em Praia Grande (SP) em 2009

Modesto Neto, Neto Monteiro, Brizola Neto, Kleber Fernandes e Paulo Rosemberg em Praia Grande (SP) em 2009


Conheci pessoalmente o Leonel Brizola em Praia Grande, litoral do Estado de São Paulo no ano de 2009 no 14º Congresso Nacional da Juventude Socialista – juventude de nosso partido, o PDT.

Como a própria presidenta Dilma Rousseff falou ao discursar sobre o mais jovem ministro do Brasil “como se não bastasse o sobrenome Brizola” eu e a presidenta afirmamos que além do sobrenome lhe é peculiar várias qualidades, dentre elas o espírito público e de enfrentamento que apenas os idealistas convictos têm a condição de cultivar, ainda mais em um cenário político onde a mediocridade é rega e não exceção.

Neste novo momento recai sobre os ombros do jovem deputado federal a missão de ser o Ministro do Trabalho, mas também o Ministro do Trabalhismo já que é esta visão política a mais capaz de colocar o trabalho como elemento central para a geração de riqueza e igualdade. Entendemos o trabalho como mãe da riqueza, da igualdade, das oportunidades e do capital que precisa ser o financiador do bem-estar do povo brasileiro. Recusamos a lógica do capital como guia do trabalho, acreditamos no trabalho e no trabalhador aliados a educação como caminho único para a emancipação real do povo brasileiro.

Além de honrar o trabalhismo, Brizola Neto tem o dever de honrar o PDT e a memória do seu avô Leonel Brizola. Boa sorte ministro!

Segue abaixo o discurso de posse do Ministro do Trabalho Brizola Neto:

Brizola Neto e Dilma Rousseff

Brizola Neto e Dilma Rousseff

Há dois dias comemoramos o Dia do Trabalho, mas nenhuma comemoração poderia ser mais significativa do que aquela que, todos os dias, nos últimos anos, vem permitindo que milhares de homens e mulheres possam deixar de viver as angústias e as privações que durante décadas, assolaram o povo trabalhador deste país.

Em nove anos, o Brasil conseguiu praticamente extirpar um desemprego que, mais do que um problema, já passara a ser visto como uma fatalidade, como um componente – entre aspas – necessário a uma economia em desenvolvimento.

Porque o pleno emprego seria um privilégio reservado às nações desenvolvidas, aos países ricos, àqueles que nos eram apresentados como fonte de lições e modelos a seguir.

Que o desenvolvimento antecedia à justiça, senhora Presidenta, era uma ideia tão obvia que parecia estar no rol daquelas que Darcy Ribeiro cita no seu genial livro “Sobre o Obvio” Uma daquelas muito tolas, mas acreditadas por muita gente durante muitos anos, como a de que é o Sol, todos os dias, quem da volta em torno da Terra.

Acreditou-se nisso, muito embora a história brasileira e a história de muitos povos tenham mostrado que o desenvolvimento sem justiça social não é apenas uma iniquidade, mas uma impossibilidade. Uma impossibilidade, uma construção tão precária que era incapaz de se sustentar.

Incapaz de se sustentar como projeto de um país, mas capaz, porém de sustentar e eternizar privilégios para uns poucos e o atraso para a imensa maioria de um povo.

Mas era obvio, natural , evidente e imutável. Não era assim há menos de um século e meio que se via a escravidão dos nossos irmãos negros naquele Brasil agrário? E depois, na República Velha, com a tristemente famosa visão de que a questão social era um caso de polícia?

O Brasil moderno, o Brasil da indústria, o Brasil com aspirações próprias, nasceu, justamente, com a inserção das massas trabalhadoras no mundo das garantias, dos direitos, das preocupações do Estado e de relações minimamente – minimamente – humanizadas de trabalho.

Porque não é humano queimar a vida do trabalhador no processo produção de riquezas.

O trabalho é, sim, elemento essencial na formação de um país, e uma condição indispensável a um país que pretende ser uma nação.

Ali, no período Vargas, com as vicissitudes que possam ter havido, começou-se a romper um mito de que o trabalho era apenas uma mercadoria vil a ser negociada com a liberdade selvagem, que desconhece que os fracos nada podem contra os fortes.

Se o Ministério que assumo hoje nasceu nos anos 30, a sua função de equilibrar aquelas relações continua atual e imperiosamente necessária.

Ainda hoje um grande jornal escreve que a presença do Estado como elemento na obtenção deste equilíbrio seria um anacronismo. E que o mercado, tudo seria capaz de resolver sozinho , certamente como estamos vendo, lancando à fogueira uma geração de jovens em países onde se seguiu a risca o receituário neoliberal.

É esse o óbvio ou é apenas um embuste para retroceder no processo inexorável de transformação do Brasil em uma democracia que se expresse não apenas do ponto de vista formal, político, mas também no econômico, no social.

Não se quer dizer que as relações de trabalho não devam ser modernizadas, sobretudo num tempo em que o mundo experimenta inovações tecnológicas numa velocidade inédita.

Nem, também, num momento em que o Brasil vive como nunca antes um salto de progresso econômico que o tornou, finalmente, um país visto pelo mundo com a grandeza que de fato possui.

Necessitamos que a presença do Estado nessas funções reguladoras se atualize, que se agilize, e que se simplifique. Mas também que avance no caminho da valorização do trabalho, da dignificação do trabalhador e no do entendimento de que é ele, o ser humano o princípio e o fim de toda atividade econômica.

Essa visão, senhoras e senhores, não é, absolutamente, um óbice à liberdade empresarial. As empresas mais modernas e mais eficientes são aquelas que entendem seus trabalhadores como parte – e parte preciosa – do seu capital. Eles são as mãos e o cérebro da produção, da eficiência e da competitividade que geram o movimento e a riqueza e com eles o avanço e o progresso.

Por isso mesmo não é apenas do trabalhador, mas também da empresa, o interesse em que as relações de trabalho aprimorem-se, evoluam e, produzindo riqueza, também produzam o consumo, a justiça social e que, num cíclo virtuoso, isso se autoalimente no que se chama de desenvolvimento sustentável.

Se o trabalho é, portanto, parte da coluna cervical do Brasil desenvolvido, justo, que vai se erguendo, o Ministério do Trabalho, indispensavelmente, deve estar à altura desse imenso desafio.

É preciso que seja ágil, transparente, inovador. Precisa fazer parte da discussão, da formulação e da implementação de políticas econômicas e sociais que nos conduzam pelos caminhos que, finalmente, hoje se abrem para o nosso país.

E o caminho das sociedades humanas, senhora presidenta e meus queridos amigos, tem o nome de História. Ela é muito maior do que os nossos pequenos desejos. É também é o retrato da soma milagrosa desses pequenos desejos individuais que, numa coletividade, geram uma vontade capaz de conduzi-la à transformação da vida.

Muito mais do que a mim é a essa história que se deve a generosidade e a ousadia da presidenta escolhida pelos brasileiros em ter trazido este jovem a tamanhas responsabilidades e desafios.

O sobrenome que possuo integra a linhagem de brasileiros ilustres que se inicia com Vargas, prossegue com João Goulart e flui para figura querida e saudosa de meu avô Leonel Brizola, este sobrenome está – e não pela minha humilde presença – indissoluvelmente ligado a essa trajetória que agora se redesenha com Luiz Inácio Lula da Silva e hoje com Dilma Rousseff.

Se os homens e mulheres compõem, cada um deles, pequenos pontos na linha que forma o fio da história, também a história desenha no comportamento desses homens e mulheres o perfil e o tamanho que o destino lhes está a exigir.

Por isso, mais do que a honra desse convite, o que preenche meu coração e meus pensamentos neste instante, é o dever de corresponder aos grandes desafios dos quais falamos. Mais do que as limitações pessoais que minha juventude possa trazer, devo tirar dela sempre inconformismo e a ânsia de mudar para melhor.

São eles que têm o poder de fazer com que qualquer homem ou mulher não perca jamais, em qualquer idade, a juventude.

Porque conserva a capacidade de sonhar, de querer o bem, de amar seus semelhantes mais do que a si mesmo.

Porque pessoas assim não se acostumam à ideia de que o que é fácil, acomodado e conveniente possa tomar o lugar daquilo que, embora áspero e difícil, esteja pleno de grandeza e de humanidade.

O Brasil, senhora presidenta, pelas suas mãos – como antes pelas mãos de Lula – vive um momento luminoso de sua história. Não temos apenas um ciclo de progresso econômico, mas experimentamos um avanço social que incorporou mais de 40 milhões de brasileiros à vida moderna, onde a conquista do consumo, de níveis básicos de conforto e, sobretudo, do desejo de continuar progredindo, torna o nosso país uma nação num momento muito especial.

Em cada brasileiro e em cada brasileira, em cada um de milhões e milhões de irmãos de pátria, formou-se a ideia de que é possível uma nova vida, de que o nosso país tem um destino, um destino próprio e soberano, que este gigante não nasceu para ser colônia ou caudatário, e que este povo não está fadado a ser pobre e ser infeliz.

Quem viu a face da esperança depois de tanta treva e tanto sofrimento não há jamais de tirar seus olhos e o seu coração do brilho da luz de um novo Brasil.

Muito Obrigado.